quarta-feira, 10 de setembro de 2008
RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL - A imprensa não entra no debate
As questões envolvidas nas expressões "responsabilidade social corporativa", "investimento social privado", "responsabilidade ambiental" e "sustentabilidade" ainda são tratadas na imprensa brasileira em nível muito superficial – e de maneira muito irresponsável, pode-se afirmar. Não bastaria dizer, como justificativa, que as mudanças de paradigmas sempre demoram a se concretizar e a compor tendências, que estaríamos vivendo um momento de transição e que, portanto, é natural esperar que as cabeças pensantes da imprensa se situem no novo contexto.
O problema da resistência da mídia em pelo menos entrar honestamente no debate deve ter outras causas. Primariamente, não seria respeitoso imaginar que ainda possa persistir entre jornalistas, articulistas, gestores e agregados aos meios de comunicação a ilusão de que a economia pode continuar crescendo em todo o planeta sem que se alterem as relações entre os processos produtivos e o patrimônio ambiental. Da mesma forma, seria debochar da inteligência emprestada à mídia considerar que ela aceita como inevitável a sucessão quase interminável de conflitos de toda espécie que compõem o cenário global, desde as brigas de gangues ao terrorismo internacional. Num ambiente social assim deteriorado, não há capital que resista por muito tempo.
Então, por que a imprensa segue impondo aos seus leitores e à sua audiência uma visão obsoleta do mundo, na qual a defesa do meio ambiente e a defesa da responsabilidade social do capital são apresentadas como teses de "naturebas" radicais que se opõem ao progresso do capitalismo, de velhos hippies deslocados na "pós-modernidade" ou de marxistas inconformados?
A inteligência da mídia sabe que não se trata disso. Mesmo a mais conservadora inteligência da mídia reconhece que o conflito ideológico contemporâneo tem a mesma raiz de todos os tempos – a manifestação de padrões desiguais de entendimento sobre o que seja utopia e o que seja ilusão –, mas a visão bipolar que marcou os séculos 19 e 20 não cabe nos paradigmas atuais, impostos pela globalização.
Caridade velha de guerra
A rigor, esse debate se resolve no ambiente científico, se considerarmos que a ilusão é a construção de perspectivas com base em premissas falsas e a utopia é a construção de perspectivas com base científica. Se alguém afirmar que é possível impor um "grande islã" planetário ou uma "irmandade do coração de Maria" global, a ciência vai ponderar que a humanidade busca naturalmente a diversidade como condição para sua sobrevivência, outros pensadores vão lembrar que o ser humano evolui no sentido da ampliação de sua consciência e sempre haverá alguém para decretar que a estupidez tem limites.
O que fica difícil entender é por que razão a imprensa se nega a deixar que o debate sobre a convergência dos desafios social e ambiental se estenda para o terreno onde ele realmente pode avançar, que é a questão do papel social do capital. Ou, dito de outra forma, sobre a natureza do capital. Dizer simplesmente que tal ou qual manifestação de preocupação com o destino do mundo, como a defesa do meio ambiente e a luta por igualdade social, é apenas arenga de velhos comunistas, equivale a chamar o leitor de estúpido. Mais do que isso, representa falta de responsabilidade social, descumprimento do papel social da imprensa de estimular a inteligência da sociedade.
Visto pelos próprios olhos da imprensa, o estado do mundo indica que a equação planetária não se resolve plantando mudinhas de ipê no jardim da empresa ou doando parte dos lucros e alguns computadores usados para a escolinha de capoeira dos negrinhos da Vila Nhocuné. Ou, para evitar mal-entendidos, para a população carente da Vila Nhocuné, onde se pode identificar grande número de infantes afro-descendentes. Sim, porque a imprensa pode ser ao mesmo tempo, contraditoriamente, socialmente irresponsável e politicamente correta.
Há muito conhecimento disponível sobre as causas defendidas por ambientalistas e pelos praticantes da gestão pela sustentabilidade que indicam a premência de incluir entre as variáveis do balanço das empresas a questão ambiental e a capacidade do capital de produzir resultados sociais tão positivos quanto seus lucros financeiros. Mas o padrão na imprensa ainda é afirmar que "o lucro é a razão de existir da empresa", fazendo a concessão segundo a qual, tendo lucros, uma empresa pode distribuir uma parte de seus resultados sob a forma da responsabilidade social. Alguns chegam a acrescentar o bordão de origem cristã pelo qual, ao doar parte de seus ganhos, o capital estaria demonstrando sua gratidão pelas bênçãos de seus lucros. A velha e boa caridade travestida de responsabilidade social.
Responsabilidades recíprocas
Essa visão obsoleta da questão social não merece os bits de uma linha na tela do computador, mas é a idéia que predomina na imprensa. Raramente se observa, em qualquer jornal ou revista, uma reportagem ou análise que contemple, por exemplo, os novos padrões de risco que desafiam os empreendedores, as novas métricas que permitem tangibilizar perdas e ganhos sociais e ambientais, ou, um pouco mais adiante, questões como capital e democracia, capital e igualdade social, capital e garantia de usufruto dos bens naturais para as futuras gerações.
Um exemplo desse anacronismo da imprensa é a abordagem da questão do aquecimento global. Mesmo que haja cientistas de boa reputação criticando pontos do relatório sobre mudanças climáticas que assombrou o mundo em fevereiro de 2007 – e os há, sim, misturados a picaretas financiados pela indústria poluidora – a questão ambiental não tem, nunca teve, como vértice o problema meteorológico. O aquecimento global é apenas uma bandeira adicional, que foi irresponsavelmente empunhada pela imprensa em todo o mundo, criando um catastrofismo que, em vez de inspirar mudanças de comportamento, provoca o fatalismo conformista que nada muda.
A verdadeira questão do movimento ambientalista e do movimento por responsabilidade social se baseia no princípio segundo o qual os indivíduos são responsáveis pelo todo social e ambiental. Segundo esse princípio, a responsabilidade de usar os meios disponíves não se limita à imposição de limites horizontais, que definem os direitos compartilhados com os contemporâneos, mas também aos limites verticais, que significam o respeito ao direito futuro das gerações que ainda estão por vir, e o respeito ao passado, ao modo de vida de populações que preferem seguir o caminho da evolução social à sua maneira e em seu próprio ritmo.
São responsabilidades recíprocas e correspondentes, e nada têm a ver com opções do tipo esquerda-direita, como dá a entender a visão reducionista predominante na mídia.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
RETRATO DA AMAZÔNIA - O que mostra uma boa reportagem
Sobre comentário para o programa radiofônico do OI, 8/9/2008
A reportagem publicada no fim de semana pelo Estado de S.Paulo poderia ser usada como tema de uma aula sobre responsabilidade social, assunto que a imprensa costuma ignorar, quando não o trata com absoluta superficialidade. Os repórteres pintam um retrato chocante da região amazônica, onde os royalties do petróleo, do gás e dos minérios produzem ainda mais miséria.
Em Coari, no Amazonas, Juruti e Parauapebas, no Pará, empresas cujos relatórios de sustentabilideade brilham de tantas ações generosas são apontadas como responsáveis pela desagregação social e por um dos mais graves casos de exploração sexual de crianças e adolescentes que a imprensa já registrou no país.
Ali atuam a Vale do Rio Doce, a Alcoa e a Petrobras, empresas cujas ações cintilam nas bolsas de valores e cujos departamentos de marketing vendem a imagem da sustentabilidadee e da responsabilidade social. Mas a realidade constatada pelos repórteres do Estadão é a do contraste entre o crescimento econômico e o crescimento da violência e da corrupção.
Boas intenções
A reportagem deixa claro que, 34 anos depois da abertura da Transamazônica e 25 anos depois do auge do garimpo em Serra Pelada e da construção da hidrelétrica de Tucuruí, o Brasil ainda não foi capaz de produzir uma estratégia de desenvolvimento para a Amazônia que não seja simplesmente mais uma porta para a miséria e a exploração de seus habitantes e de seu patrimônio natural.
Exatamente onde mais jorra o dinheiro dos royalties pagos pelas empresas que extraem petróleo, gás e minérios, os números da exploração sexual de crianças e os índices de qualidade de vida são piores do que os das demais cidades da região.
Os dados apresentados pela reportagem são inquestionáveis: somente em Coari, com a chegada da Petrobras, o número de mães com até quinze anos de idade subiu de 1,7% para 13,9% do total de partos por ano.
As empresas que exploram as riquezas da região recheiam seus relatórios de sustentabilidade com belas iniciativas e as melhores intenções. Mas nada como uma boa reportagem para colocar por terra toda propaganda.
De O Estado de S. Paulo - Cidades amazônicas viram eldorados da prostituição infantil
Ao lado dos lucros com petróleo e mineração, 3 cidades amazônicas vêem crescer abusos e gravidez precoce
Leonencio Nossa, enviado especial de O Estado de S. Paulo
Celso Junior/AE
Na foto, 'menina do trem' em Parauapebas
Veja também:
Galeria de fotos: prostituição infantil na Amazônia (Copiar e colar no navegador)
http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowGaleria.action?idGaleria=975
Líderes na arrecadação de impostos e royalties de gás, petróleo, bauxita e minério, os municípios de Coari (AM), Juruti e Parauapebas (PA) vivem um boom econômico, mas registram, ao mesmo tempo, índices de violência contra meninas proporcionalmente semelhantes aos que surgiram nos anos 70, no rastro da traumática experiência de desenvolvimento impulsionada pela Rodovia Transamazônica, pela mina de Serra Pelada e pela hidrelétrica de Tucuruí.
Após 34 anos da abertura da Transamazônica e de 25 anos do auge do garimpo e da inauguração da usina, a Amazônia desses municípios repete padrões de crescimento igualmente destruidores, tem gestões públicas sem transparência, além de ignorar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A estatística das meninas grávidas com idade até 15 anos é o retrato fiel da situação. Das mulheres que tiveram filhos no Brasil, nos primeiros seis meses deste ano, 1,3% estavam nessa faixa. Esse índice cresce nos Estados do Amazonas e do Pará para 1,9%, mas é dez vezes maior em Coari, 13,9% - em 1995, um ano antes da chegada da Petrobras à cidade, 1,7% das grávidas do local tinha idade abaixo de 15 anos.
Parauapebas registrou no primeiro semestre deste ano uma taxa de 2% de grávidas com idade abaixo de 15 anos. Em Juruti, do total de grávidas atendidas no hospital local, no ano passado, 2,5% tinham idade abaixo de 15 anos - esse porcentual foi de 0,9% em 1995.
Nos projetos de prefeituras e empresas que lideram a atividade econômica nesses locais - Alcoa, Vale e Petrobrás - sobram intenções e faltam objetivos práticos que mudem o panorama. E não é por falta de dinheiro.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Teor de enxofre no diesel: É um lixo só, artigo de Miriam Leitão
Nos Estados Unidos, Europa, Taiwan e México, o teor de enxofre no diesel já caiu. No Brasil, há sete anos, uma resolução determinou a limpeza do combustível. A Petrobras garantiu que vai cumpri-la em 2009. Não cumprir tem custo financeiro e em vidas humanas. A resolução 315 do Conama, Conselho Nacional do Meio Ambiente, de 2002, estabeleceu que o diesel brasileiro teria que ter 50 partes de enxofre por milhão.
Este é um movimento mundial e, comparado ao produto de outros países, o nosso é um lixo só. Nos Estados Unidos, há anos, já foi atingido o nível de 50 partes por milhão (ppm).
Agora se busca a meta de 15 partes por milhão. Na Europa, a meta hoje é de 10 ppm. No Brasil, o diesel tem 500 partes de enxofre por milhão nas grandes cidades e 2.000 no interior do país. A gasolina tem 1.000 ppm. Porém o diesel preocupa mais porque é um composto mais pesado; as partículas emitidas são mais danosas à saúde humana.
Se a regulação do Conama, enfim, entrar em vigor no ano que vem, o nível de enxofre cairá para 50 ppm tanto no diesel das grandes cidades quanto no do interior.
Mesmo quando chegarmos lá, estaremos atrás do México, que hoje são 50 ppm e, no ano que vem, vai para 15. Taiwan chegou aos 50 ppm há 4 anos. No Canadá, que tem um petróleo pesado, eram 340 ppm, hoje são 30. São vários os países grandes e médios que já vêm atingindo níveis cada vez menos nocivos.
Este caso contém os sinais de vários defeitos do Brasil: o excessivo poder da Petrobras; a ineficiência dos órgãos regulatórios, principalmente da ANP; o descaso com a saúde do cidadão; o lobby da indústria automobilística.
O Conama deu um enorme prazo para que a sua determinação fosse cumprida, mas a Agência Nacional do Petróleo, que teria de informar as especificações técnicas dos combustíveis, deixou o tempo correr. Só em outubro e, após muita pressão de entidades como o movimento Nossa São Paulo, OAB, Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, entre outros, divulgou as especificações.
Começou então um movimento para adiamento da entrada em vigor da resolução, marcada para janeiro de 2009. Ou, pelo menos, para uma implantação gradual.
As entidades reagiram.
O Ministério do Meio Ambiente avisou que não vai aceitar adiamentos. Na sexta-feira mesmo, o ministro Carlos Minc reiterou isso, dizendo que exigirá compensações da Petrobras e da Anfavea caso elas não cumpram o prazo. Procurada pela coluna, a Petrobras garantiu, também na sexta-feira, por escrito, que “a Companhia vai fornecer o diesel 50 ppm a ser utilizado pelos veículos com tecnologia P-6 da resolução 315. Este produto já está inclusive disponibilizado pela companhia para testes por parte da indústria automobilística”.
Este diesel cheio de enxofre é o principal culpado pela poluição gerada pelo trânsito. A poluição causa várias doenças respiratórias e até câncer de pulmão; 5% dos casos são causados pela poluição. No mundo, 2 milhões de pessoas morrem por ano com doenças decorrentes da poluição do ar.
O professor Paulo Saldiva, do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP, coordena um levantamento que mede a incidência de poluição em grandes cidades: Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Segundo ele, o monitoramento era muito falho, o que faz com que se argumente, muitas vezes, que só São Paulo e Rio têm problemas com a poluição: — Todas essas cidades em que fizemos a pesquisa estão com níveis acima do que é recomendado mundialmente.
Apenas Recife está só um pouco mais alto.
O professor fez uma conta considerando a população economicamente ativa, entre 20 e 60 anos, na região metropolitana de São Paulo; ele chegou a um custo de US$ 1,5 bilhão, por ano, por causa de problemas decorrentes da poluição. Ainda que só 10% da frota sejam a diesel, esse combustível é o responsável por 50% das emissões do material particulado fino, que forma a fumaça preta, que é um dos maiores responsáveis por mortes e doenças respiratórias do país. De acordo com Paulo Saldiva, a poluição é a causa de cerca de 400 mortes por ano só na cidade de São Paulo.
O professor Roberto Schaeffer, da Coppe, pondera que o problema da poluição não é apenas o diesel nos ônibus e caminhões. O carvão como fonte de energia emite muito enxofre. É uma importante parte da matriz energética da Europa, da China e da Índia: — O mais importante é a concentração de poluente no ar. O Brasil hoje é relativamente menos poluído devido à matriz energética.
Quem respira o ar de São Paulo dificilmente concordaria com isso. Não precisa ser especialista em saúde para saber que respirar enxofre provoca vários danos aos seres humanos. Não precisa ser economista para saber que isso representa maior custo fiscal, pelo impacto na Saúde. Não precisa ser especialista em regulação para saber que alguma coisa está errada num país em que a determinação de um conselho ambiental feita com tanta antecedência precisa da pressão da sociedade civil, dos especialistas, dos ambientalistas, para que se tenha esperança de que ela será cumprida.
A Petrobras, em sua nota, disse que vem retirando gradativamente o teor de enxofre do diesel e da gasolina desde o começo dos anos 90 e garante que investiu US$ 1,6 bilhão de 2000 a 2007 para melhorar a qualidade dos combustíveis.
Não há razão para novos adiamentos, a tecnologia de redução de enxofre já está dominada e é um imperativo de saúde pública.
Artigo originalmente publicado no Painel Econômico, do O Globo, 03/08/2008
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Informação para a sociedade
por Dal MarcondesParticipo de diversas redes de comunicação, e uma delas é a Rede Brasileira de Jornalistas Ambientais. Esta rede, que está completando 10 anos, reúne jornalistas e estudantes de comunicação que atuam com pautas ambientais em todo o Brasil, além de ter alguns observadores internacionais. Creio que os profissionais que atuam com as pautas mais relevantes em termos ambientais estão inscritos na RBJA, atualmente são cerca de 500. Muitas das mais importantes denúncias e reflexões sobre a cobertura da mídia sobre meio ambiente no Brasil e no mundo passou por esta rede, que funciona em um sistema de grupos do Yahoo.
Nos últimos tempos os debates têm se concentrado no formato de financiamento de informações sobre meio ambiente para a sociedade. Existe certo consenso de que as transformações nas relações de produção e consumo, necessárias para a construção de um modelo de desenvolvimento ambientalmente menos agressivo, passam pela informação que sociedade recebe sobre os impactos causados pelo atual modelo, e pela difusão de alternativas de boas práticas. Desta forma cidadãos/consumidores podem decidir de forma mais elaborada suas opções de participação e consumo.
A sociedade precisa de informações para perceber quais são os desafios e empreender no caminho da sustentabilidade. Contudo, se os desafios não são colocados pela mídia, não haverá reação. Afinal, não se pode enfrentar obstáculos desconhecidos. De uma forma geral a mídia brasileira está publicando mais matérias sobre meio ambiente, no entanto, a pauta ainda é focada em temas pontuais. Tem matérias sobre os índices de desmatamento da Amazônia, sobre acidentes ambientais e alguma coisa voltada para a educação ambiental de forma lúdica.
Poucos são os veículos de comunicação que trabalham a informação de forma coerente dentro de paradigmas de sustentabilidade. Isto quer dizer um olhar sobre a notícia que leve em conta o respeito ao meio ambiente, a responsabilidade social e o desempenho econômico. Estas poucas mídias precisam de recursos para manter equipe, pagar gráfica e manter uma estrutura empresarial que a mantenha como uma opção informativa para a sociedade. Desde o início dos anos 90 várias mídias surgiram com este propósito. Muitas não conseguiram sobreviver e algumas ainda estão ai trabalhando os mesmos desafios para se manter desde a sua fundação. A maior parte das mídias chamadas “ambientais” são feitas por profissionais de destaque no campo do jornalismo e não por pessoas que não conseguiram vencer em outras áreas. Exemplos disso são Vilmar Berna, editor da Revista e do Portal do Meio Ambiente, Lúcia Chaib e Renné Capriles, editores da Eco 21, Cecy Oliveira, editora do Portal Água on line, Hiram Firmino, editor do JB Ecológico e muitos outros colegas.
Apesar dos diferentes modelos editoriais, os desafios de financiar a atividade são os mesmos, não há recursos financeiros suficientes para que estas mídias galguem um espaço de destaque, com alcance suficiente para debater nacionalmente os paradigmas de produção e consumo. Mídias não são transformadoras por si, mas são capazes de oferecer as informações e conhecimentos necessários para que a sociedade reflita sobre suas escolhas.
Não há no Brasil nenhuma discussão relevante sobre modelos de financiamento à informação para a sociedade. Quem paga jornais, revistas, TVs e internet é o mercado publicitário, sem nenhum (ou pouco) juízo de valor sobre que tipo de informação está financiando para a sociedade. Nem ao menos as verbas publicitárias de organismos de governo são utilizadas com uma avaliação sobre os conteúdos das mídias onde publicam seus anúncios. O que de fato existe é um comércio de público. As agências de publicidade compram público em uma relação de “custo por mil”. As mídias convencionais sabem disso e, portanto, trabalham com o tipo de informação que maximize seu público.
Até agora não há novidade no que estou dizendo. Mas, quando jornalistas que cobrem pautas ambientais começam a questionar o modelo publicitário para o financiamento das atividades das mídias que atuam com pautas ambientais e de sustentabilidade, levantando supostos “conflitos de interesse”, é sinal de que está na hora de estudar como manter estas publicações.
Alguns itens merecem reflexão:
• Nenhuma mídia no Brasil jamais conseguiu se manter apenas com assinaturas e vendas em bancas.
• Jornalismo, seja ambiental ou pela sustentabilidade, é atividade profissional e deve ser remunerada.
• A produção de jornalismo de boa qualidade envolve custos.
• O Brasil registra avanços na gestão ambiental e as mídias ambientais têm uma contribuição importante para isso.
• Não ter mídias ambientais seria um retrocesso da sociedade
Então, como fazer? Desde que comecei a atuar em jornalismo, no início dos anos 80 do século passado, aprendi que existem basicamente dois tipos de pautas jornalísticas:
• A pauta sobre coisas que o público deseja;
• A pauta sobre coisas que o público precisa saber;
Estas duas pautas têm papéis diferentes na formação de uma sociedade. A primeira está ligada ao entretenimento, à cultura, esportes, lazer etc. A segunda tem uma relação direta com a construção da cidadania, com a estruturarão de política públicas e com a necessidade de difundir-se conceitos nem sempre fáceis de se transmitir.
Bom, trabalhar com pautas ambientais está mais para a segunda opção, aquela que elege a informação necessária para a sociedade como mote principal de pauta. Isto quer dizer, principalmente, que muita gente não vai ler, ver ou ouvir. Isto não significa, no entanto, que não sejam pautas fundamentais para a sociedade.
Os debates que estão ocorrendo na RBJA mostram que o Brasil precisa ir mais longe na discussão de que País pretende ser. Há distintos modelos de mídias, cada uma com um papel diferente na formação da sociedade e as mídias que atuam com temas de alta especialização precisam de um modelo próprio de financiamento. Isto engloba o jornalismo científico, o ambiental, o de cidadania, o étnico e muitos outros.
O exercício profissional do jornalismo de qualidade exige recursos financeiros. Por enquanto os únicos disponíveis vêm da publicidade. Mas não precisa ser assim para sempre. (Envolverde)
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Brasileiros já compram mais computadores do que televisores
Pela primeira vez, o número de usuários de Internet no país ultrapassou a barreira dos 40 milhões. Segundo estudo do Ibope NetRatings, havia 41,565 milhões de internautas no fim do primeiro trimestre deste ano. O total corresponde a maiores de 16 anos que acessam a rede em qualquer ambiente, o que inclui a residência, escola, trabalho, lan houses e outros. Trata-se do maior número desde setembro de 2000, quando a empresa iniciou as medições no país.
"O grande novo entrante é a classe C", afirmou Alexandre Magalhães, gerente de análise do Ibope NetRatings. A redução de impostos, a ampliação do financiamento e a queda do dólar têm permitido o acesso de consumidores de renda mais baixa ao computador. No ano passado, foram vendidos 10,5 milhões de computadores no país. Pela primeira vez, as pessoas compraram mais computadores do que televisores. "As pessoas compram computadores porque acreditam que isso vai melhorar a vida dos filhos", disse Magalhães.
O Ibope NetRatings apontou que, em maio, 35,5 milhões de brasileiros tinham acesso em casa. Desse total, 23,1 milhões eram internautas ativos. Ou seja, acessaram a rede pelo menos uma vez no mês. O número de internautas ativos cresceu 29% em relação ao mesmo mês de 2007.
Tempo de navegação
O tempo médio que o internauta brasileiro passa na Internet aumentou uma hora e um minuto em relação a abril, chegando a 23 horas e 48 minutos por mês. O brasileiro continua sendo o que passa mais tempo na Internet entre os dez países onde é feita a pesquisa da NetRatings. O Japão está em segundo lugar da lista, com 21 horas e 34 minutos, seguido da França (20 horas e 23 minutos) e dos Estados Unidos (19 horas e 46 minutos).
Do total de usuários ativos, 81,5% têm acesso de banda larga. "A classe C já está indo direto para a banda larga", explicou o gerente do Ibope NetRatings. Em medições anteriores, era mais comum que o internauta com renda mais baixa começasse a usar a Internet discada e, com o tempo, contratasse o acesso rápido. "A banda larga faz muito mais sentido até do ponto de vista financeiro."
O total de internautas no Brasil aumentou 4,2% no trimestre e 25,4% em um ano. No primeiro trimestre de 2007, havia 33,1 milhões de usuários da rede mundial no país. No primeiro trimestre desde ano, havia cerca de 65 milhões de pessoas no país com mais de 16 anos e telefone fixo residencial, grupo alvo da pesquisa. Do total, 64% acessavam a rede mundial, 47,4% tinham acesso em casa, 41,2% em outros locais (como lan houses e escolas) e 22,5% no trabalho.
Os percentuais somam mais de 100% porque uma pessoa pode acessar a rede de mais de uma maneira. "Em nove dos dez países que acompanhamos o acesso em lugares públicos está quase empatado com o residencial", disse Magalhães.
sábado, 28 de junho de 2008
Pesquisa conclui: nos EUA, comprador da Internet é mais verde
Enquete realizada com os internautas norte-americanos avaliou que clientes de sites de e-commerce têm grandes preocupações ambientais.
Não se sabe se fora do mundo virtual ele é efetivamente um consumidor mais consciente, mas o que se acaba de descobrir é que 83% dos compradores on-line estão muito propensos a escolher produtos que respeitem mais o meio ambiente, em suas compras pela internet. A boa notícia vem dos Estados Unidos, por meio de uma recente pesquisa feita pela Performics DoubleClick, uma empresa estadunidense de marketing na Internet. Segundo o levantamento, não só os internautas estão mais propensos, senão quase a metade (49%) deles procura ativamente por uma alternativa ambientalmente mais correta para suas compras on-line. Isso inclui também a disposição de pagar, no mínimo, 5% a mais por isso. A pesquisa foi divulgada no mês passado e se baseou em consulta a mil compradores on-line nos Estados Unidos. A Performics DoubleClick espera que o resultado da pesquisa sirva como estímulo para que as empresas da web invistam mais em sustentabilidade e se lembrem de apresentar seus atributos verdes nas próximas campanhas publicitárias.
No Brasil, ainda não foram mapeadas as preferências ambientais do comprador on-line, apesar desse grupo não parar de crescer. O aumento se deve à expansão do acesso à Internet, bem como a atratividade exercida no internauta pela comodidade, agilidade e economia representadas pelo e-commerce. De acordo com levantamento da e-bit, site de informações sobre comércio eletrônico, patrocinador institucional do Akatu, só no primeiro trimestre de 2008, o comércio eletrônico brasileiro obteve um faturamento de R$ 1,84 bilhão, que representou um crescimento de 49% nas vendas em relação ao ano passado.
Existem hoje, no Brasil, um pouco mais de 10 milhões de pessoas que já fizeram compras pela internet. Esses números ainda são muito distantes do que ocorre nos Estados Unidos, onde mais de 100 milhões de pessoas compram regularmente pelo canal. Segundo Gastão Matos – consultor da camara-e.net para Comitê de Varejo on Line – o comércio eletrônico brasileiro deverá ter a movimentação recorde de R$ 10 bilhões em 2008, enquanto nos Estados Unidos, a movimentação do canal no mesmo período, deve chegar a US$ 200 bilhões. Por outro lado, o Brasil está crescendo à expressiva taxa de 50% ao ano, enquanto nos Estados Unidos, as taxas de crescimento estão entre 10 e 15% ao ano.
(Envolverde/Instituto Akatu)
Colunista afirma que Estadão foi vendido para o grupo Globo
Na manhã desta quinta-feira (26), o jornalista Giba Um, que tem um site homônimo, publicou uma nota afirmando que o jornal O Estado de S. Paulo e os demais veículos do grupo Estado teriam sido vendidos para o grupo Globo.
De acordo com o colunista, a venda do Estadão confirmou notas que "já vinham sendo dadas pela coluna". Ele afirma que "cada um, dos seis principais integrantes da família Mesquita, receberia R$ 90 milhões e o grupo Estado teria se comprometido a deixar o passivo trabalhista zerado (as demissões já começaram, a partir dos jornalistas mais veteranos e de maiores salários)".
Segundo Giba Um, o grupo Estado já teria conversado com os grupos Folha e Abril para não ser acusado de monopólio. Além disso, o Jornal da Tarde seria fechado para não conflitar com o Diário de S.Paulo.
Procurada pelo Portal IMPRENSA, a assessoria do Estadão não confirma a venda. Alega que a informação não procede, e que a posição da diretoria é negar o boato. As demissões também não teriam relação alguma com a suposta venda; seria um plano de demissões voluntárias relacionadas a uma questão estrutural da empresa.
A assessoria das Organizações Globo também negou a informação ao Portal IMPRENSA, e disse que a compra do Estadão pelo Grupo não procede e que não há negociações entre as partes.
Com informações do site Giba Um.